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Biblioteconomia

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Entrevista com Gabriela Pedrão, Doutoranda em Biblioteconomia na UNESP

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Entrevista com Eduardo Graziosi Silva

Bacharel em Biblioteconomia e Ciência da Informação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) em 2011. Mestre em Ciência da Informação pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” em 2018 com período sanduíche na Universidad de Granada em 2017.

Blog: Mundo Bibliotecário

 

Por que você escolheu Biblioteconomia?

Escolhi a carreira de Biblioteconomia pelo motivo a que muitos aficionados por livros a escolhem: gostar de ler e gostar de livros. Eu tinha uma noção do curso e do conteúdo, pois quando prestei o vestibular em 2007 minha mãe também cursava Biblioteconomia. Assim, eu tinha uma ideia, ainda vaga, do curso de Biblioteconomia. Ambos os critérios (gostar de ler e de livros e o fato da minha mãe estudar Biblioteconomia à época) me levaram a optar por essa carreira.

 

O que faz um profissional de Biblioteconomia?

O bibliotecário é responsável por gerenciar a informação em qualquer área do conhecimento registrada em qualquer suporte. E por informação incluem-se documentos textuais, sonoros, imagéticos, audiovisuais e quaisquer outros que tenham algum conteúdo registrado. Além disso, utiliza técnicas e métodos para tornar a informação acessível ao usuário, isto é, faz a mediação entre a informação e o usuário, tornando o conteúdo disponível e acessível.

 

Que tipo de trabalho você faz? Quais as suas atividades?

Atualmente trabalho em biblioteca universitária (EESC – Escola de Engenharia de São Carlos /USP), onde sou responsável pela Seção de Atendimento ao Usuário. Além de atividades administrativas, como atendimento aos usuários, coordenação das atividades da seção, também realizo atividades de cunho mais pedagógico, como palestras em disciplinas de graduação e pós-graduação sobre diversos temas, dentre eles: bases de dados, bases de patentes, Currículo Lattes (site brasileiro onde professores, pesquisadores e qualquer pessoa podem registrar suas atividades profissionais) ORCiD (uma espécie de “Currículo Lattes internacional”) e LinkedIn. Também participo de grupos de trabalho interno e escrevo e executo projetos relacionados às atividades da biblioteca, junto com a equipe, tais como: digitalização e recuperação de fotografias, digitalização de apostilas, elaboração de guia de fontes de informação para startups, dentre outros.

 

Como é seu dia a dia profissional típico?

Atualmente trabalho no Serviço de Biblioteca “Prof. Dr. Sérgio Rodrigues Fontes” da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (EESC/USP). Meu dia a dia envolve o atendimento aos usuários (alunos, docentes e pesquisadores) de forma presencial e remota (e-mail, chat, telefone e WhatsApp corporativo, implantado recentemente), acompanhamento de projetos da biblioteca, participação em reuniões e grupos de trabalho internos, realização de palestras para graduação e pós-graduação sobre os recursos disponíveis para a pesquisa científica. Algumas atividades ocorrem eventualmente, por exemplo, as palestras ocorrem sob demanda (por exemplo, eventos acadêmicos, no início do ano para os alunos ingressantes e disciplinas regulares de graduação e pós-graduação). Um trabalho realizado recentemente que se encontra na sua fase final de execução é o projeto “Guia de fontes de informação para startups”, onde estamos elaborando um livreto com indicação da fonte onde os proprietários de startups podem buscar informações sobre financiamento, eventos sobre empreendedorismo, legislação, marketing dentre outros.

 

Que tipo de ferramentas, recursos, ideias e metodologias um bibliotecário utiliza?

Utilizo algumas ferramentas tecnológicas, como Google Agenda e Skype, para comunicação com os colegas de trabalho. Costumo organizar todas minhas tarefas em uma lista por assuntos em uma folha para visualizar e lembrar facilmente de cada uma delas.

 

Como está o mercado de trabalho em Biblioteconomia?

O mercado de trabalho em Biblioteconomia é vasto. Além de bibliotecas universitárias, públicas e escolares, que é o local de trabalho de grande parte dos profissionais, o bibliotecário também atua em escritórios de advocacia (meu primeiro emprego como bibliotecário foi em um escritório), empresas, hospitais órgãos públicos, dentre outros. Inclusive pode atuar de forma autônoma por meio da prestação de serviços como normalização de trabalhos acadêmicos, elaboração de ficha catalográfica e organização de bibliotecas, por exemplo. Pela vastidão de possibilidades, considero que o mercado está em alta, principalmente no setor empresarial. Para isso, no entanto, o bibliotecário precisa procurar formação específica, pois as grades curriculares da maioria dos cursos de graduação, e mesmo de pós-graduação, ainda são muito teóricas e não contemplam outras vertentes além de disciplinas clássicas como catalogação, classificação e indexação, por exemplo. Assim, o bibliotecário que deseja trabalhar com marketing de conteúdo, curadoria de dados ou big data, apenas para citar exemplos atuais e fortemente relacionados com as habilidades do profissional, deve buscar formação por conta própria.

 

Quais seriam as principais áreas de atuação na Biblioteconomia?

As principais áreas são as bibliotecas universitárias públicas, que apesar da situação econômica do país, ainda são o “elo mais forte” das tipologias de bibliotecas (escolares, públicas e comunitárias). As empresas também vêm ganhando cada vez mais força, principalmente se o bibliotecário tiver uma formação específica para atuar no segmento da empresa em que deseja trabalhar.

 

Quanto ganha aproximadamente um profissional de Biblioteconomia?

Em geral, os melhores salários para bibliotecário encontram-se no setor público, além de instituições das áreas de Direito e Saúde. No entanto, se optar pela carreira motivado pelo dinheiro, a situação pode não ser recompensadora pelo fato de muitas instituições ainda não reconhecerem e/ou valorizarem o trabalho do bibliotecário. Além disso, o piso salarial é definido pelo sindicato da categoria, que no caso de São Paulo é o SinBiesp. Porém, muitos Estados não possuem um sindicato de bibliotecários, o que dificulta as negociações salarias, especialmente no setor privado.

 

Quais as principais vantagens dessa profissão?

A principal vantagem que vejo na profissão é a possibilidade de atuar em qualquer área do conhecimento e aprender sobre a mesma no dia a dia profissional. A maior alegria é ter o feedback de algum usuário e saber que ele conseguiu ser bem sucedido a partir do serviço e/ou produto oferecido.

 

E quais as maiores dificuldades e desafios?

A maior dificuldade ainda é o reconhecimento e valorização do bibliotecário nos ambientes de trabalho, principalmente no setor privado. O profissional deve ser proativo e atuante para estar sempre presente de toda e qualquer ação que o influencie individual ou coletivamente, isto é, enquanto profissional de uma classe regulamentada por lei.

 

O que se estuda na faculdade de Biblioteconomia e Ciência da Informação?

Estudam-se disciplinas clássicas como catalogação, classificação, indexação e normalização documentária, dentre outras. Também há disciplinas mais gerais, como comunicação, inglês e computação, além de outras relacionadas e necessárias à atuação profissional, a exemplo de disciplinas da área de gestão.

 

Quais matérias do colégio são mais importantes ao se preparar para essa carreira?

As matérias da área de Humanas são as mais importantes. A matemática também é importante, principalmente a estatística, que é útil para a disciplina de bibliometria (análise da ciência por meio de indicadores quantitativos), presente no currículo do curso de Biblioteconomia.

 

Há outras aprendizagens e experiências que não são oferecidas pela escola, mas são importantes ao longo da carreira em Biblioteconomia?

Sim. A gestão de pessoas é essencial, a meu ver, para toda e qualquer carreira. Essa experiência só é adquirida ao longo do tempo e na escola é possível ter noção de sua importância quando realizamos trabalho em grupo, mas no dia a dia profissional a situação é bastante diferente.

 

É necessário o conhecimento de outro idioma para atuação em Biblioteconomia?

Sim. O domínio de idiomas estrangeiros é fundamental para atender os usuários que solicitam o atendimento do bibliotecário. Na USP, por exemplo, recebemos alunos estrangeiros durante todo o ano e nem sempre eles sabem se comunicar fluentemente em português. Nessas situações nos comunicamos em inglês com eles e, eventualmente, em espanhol.

 

Como deve ser a personalidade e quais devem ser os interesses, desejos e valores de alguém que segue Biblioteconomia?

Geralmente a personalidade do estudante que deseja ser bibliotecário é introspectiva, porém, deve ser comunicativo, pois terá que lidar com o público interno e externo do seu local de trabalho em diversas situações. Também deve ser uma pessoa curiosa e com gosto pela pesquisa, pois o profissional sempre procurará, em um momento ou outro, informações para as pessoas que dela necessitam.

 

É necessária alguma habilidade anterior?

Não. Acredito que a profissão nos coloca em situações que fazem com que percebamos a necessidade de adquirir ou modificar habilidades que visem o atendimento ao usuário com excelência.

 

Você mudaria algo em relação ao seu caminho profissional para chegar ao ponto em que está?

Não mudaria. Acredito que meu caminho profissional está seguindo a direção que pretendo, embora não no tempo planejado inicialmente. Após o doutorado almejo seguir a carreira acadêmica, ou seja, dar aulas em universidade e fazer pesquisas como professor universitário.

 

Existem filmes que exemplifiquem sua área profissional?

Um filme (na verdade um livro que foi adaptado para o cinema) que sempre vem à mente de muitas pessoas sobre o bibliotecário é “O nome da rosa”, de Umberto Eco.

 

Quem seriam profissionais de amplo reconhecimento ou figuras históricas na Biblioteconomia?

No cenário internacional, destacam-se Dewey, Paul Otlet e Ranganathan, que criaram a Classificação Decimal de Dewey (CDD), Classificação Decimal Universal (CDU) e a Classificação de Dois Pontos (ou Analítico-sintética ou Colon Classification). Além disso, Anthony Panizzi também é outra figura de destaque, pois foi um dos precursores da catalogação moderna. No cenário nacional, considero muito relevante e expressiva a atuação do bibliotecário, editor e professor Antonio Agenor Briquet de Lemos. Briquet de Lemos tinha uma editora com seu próprio nome (Editora Briquet de Lemos), onde editou, publicou e traduziu livros técnicos de Biblioteconomia. Também foi professor na Universidade de Brasília, além de bibliotecário. Ele continua desenvolvendo atividades biblioteconômicas até hoje. Sua experiência é muito rica para as gerações presentes e futuras.

 

Por fim, que dicas de carreira e de vida em geral você gostaria de oferecer para um jovem que está escolhendo sua profissão nesse momento?

Independentemente da situação que você enfrentar, cerque-se de pessoas que o motivem a seguir em frente. Procure mentores e profissionais que você admira para te guiar pelos melhores caminhos da carreira. Você pode, sim, decepcionar-se com alguns deles no meio do caminho, mas persista. Há espaço para incertezas e dúvidas, mas não para a desistência.

 

Como alguém pode fazer para saber mais sobre Biblioteconomia?

O estudante interessado em saber mais sobre a profissão de bibliotecário pode consultar, além do meu blog, sites de órgãos de classe, tais como:

Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB): http://www.cfb.org.br/

Conselho Regional de Biblioteconomia da 8ª Região (CRB-8): http://www.crb8.org.br/

Sindicato dos Bibliotecários, Cientistas da Informação, Historiadores, Museólogos, Documentalistas, Arquivistas, Auxiliares de Biblioteca e de Centros de Documentação no Estado de São Paulo (SinBiesp): http://www.sinbiesp.org.br/

Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições (FEBAB): http://www.febab.org.br/

Também gostaria de indicar o site do curso de Biblioteconomia e Ciência da UFSCar, onde me formei: http://www.dci.ufscar.br/

 

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